Faltam poucos meses para o fim de 2026, e esse período é decisivo: é agora que empresas e escritórios contábeis precisam fechar decisões que vão valer a partir de 2027, ano em que a Reforma Tributária do Consumo (CBS e IBS) começa a produzir efeitos financeiros reais. Reunimos as seis frentes que merecem atenção prioritária até dezembro.
1. Opção pelo Simples Nacional para 2027
Empresas que querem ingressar no Simples Nacional em janeiro de 2027 tiveram até 30 de setembro de 2026 para antecipar o pedido. Quem perdeu esse prazo específico ainda poderá fazer a opção no início de janeiro, dentro do calendário normal — mas o quanto antes a decisão for tomada, mais tempo sobra para organizar a transição.
2. Avaliação entre Simples Nacional tradicional e "Simples Híbrido"
Com a Reforma Tributária, surgiu a possibilidade de as empresas do Simples Nacional optarem por um regime híbrido de recolhimento de CBS e IBS, calculando esses dois tributos "por fora" do DAS em vez de dentro do regime unificado. Para alguns setores — principalmente os que vendem para empresas do Lucro Real, que aproveitam crédito tributário — essa opção pode ser vantajosa. A decisão exige simulação caso a caso antes do fim do ano.
3. Destaque informativo de CBS e IBS nas notas fiscais
Ao longo de 2026, notas fiscais eletrônicas passaram a trazer, de forma apenas informativa, o destaque das alíquotas-teste de CBS e IBS (sem impacto financeiro ainda). É fundamental que os sistemas de emissão de notas da empresa estejam atualizados e que a equipe já saiba interpretar esses campos, porque em 2027 esse destaque deixa de ser informativo e passa a ter efeito tributário real.
4. Adaptação de sistemas para IBS e CBS na importação (DUIMP)
Empresas que importam mercadorias precisam verificar se seus sistemas e despachantes aduaneiros já contemplam os novos campos da Declaração Única de Importação (DUIMP), como UF e município do local de consumo — informações necessárias para o cálculo correto de IBS e CBS sobre operações de importação a partir de 2027.
5. Revisão de contratos com cláusula de reajuste tributário
Contratos de fornecimento, locação e prestação de serviço de longo prazo devem ser revisados para verificar se preveem reajuste em caso de mudança na carga tributária. Com a substituição gradual de PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI por CBS e IBS, é comum que a carga efetiva mude — para mais ou para menos — dependendo do setor, e contratos mal redigidos podem gerar prejuízo para uma das partes.
6. Planejamento de fluxo de caixa para a transição de 2027
A convivência entre o sistema tributário antigo e o novo, mesmo que gradual, tende a gerar impacto temporário no fluxo de caixa de muitas empresas — seja pela curva de aprendizado das equipes, seja por ajustes de preço e de créditos tributários que levam alguns meses para se estabilizar. Simular esse impacto ainda em 2026 evita surpresas no início de 2027.
Por que agir agora, e não em janeiro
Esperar o início de 2027 para tratar desses seis pontos reduz drasticamente a margem de manobra: decisões sobre regime tributário, sistemas de emissão de notas e contratos levam tempo para implementar. Quem começa a se organizar ainda no último trimestre de 2026 chega ao novo sistema com muito mais segurança — e sem correr atrás do prejuízo.
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